Na centésima edição do Informativo do Sindiplast-ES, o presidente da entidade, Gilmar Regio, concedeu uma entrevista completa em que analisa o cenário do setor de Transformados Plásticos, fala dos desafios enfrentados, das realizações do Sindicato e das perspectivas de mercado. O bate-papo marca ainda os últimos dois meses do empresário no comando do Sindiplast-ES, que receberá a sua nova diretoria, já eleita, para posse oficial no mês de abril. Confira como foi essa conversa:

Como o senhor analisa o ano de 2018 para o setor de Transformados Plásticos do Espírito Santo?

De janeiro a outubro de 2018, o setor apresentou crescimento de 2,3% em sua produção física em relação ao mesmo período no ano anterior. Todos os segmentos plásticos pesquisados demonstraram crescimento nessa comparação. Em relação aos principais demandantes do setor, apenas a indústria de Alimentos registrou queda de 3,9% no período acumulado. Os demais segmentos apresentaram crescimento: artigos de higiene pessoal e limpeza (1,2%), bebidas (1,4%) e máquinas e equipamentos (4,5%).

Quais foram os principais desafios enfrentados?

Podemos citar três grandes desafios. Primeiro, as constantes ações contra a imagem do plástico no Brasil e as leis estaduais e municipais contra a utilização dos canudos plásticos. Outro fator foi a retração do crédito do setor empresarial em até 28%, que tem impactado especialmente as pequenas e médias empresas. Os spreads subiram, o custo do crédito subiu, o acesso ao crédito diminuiu e isso, curiosamente, com o sistema bancário renegociando intensamente as dívidas do setor empresarial, forçando algum resgate líquido de dívida e impondo uma subida de custo. Por último, o alto custo operacional permanece como uma grande dificuldade para a indústria do setor. Para exemplificar, de janeiro a outubro de 2018, o índice de Custo Abiplast da Indústria de Transformados  Plásticos registrou crescimento de 15% em relação ao mesmo período de 2017. Na mesma comparação, houve aumento de 2% no custo de mão de obra, 20% em matérias-primas e 14% na energia elétrica industrial.

Houve contratações ou cortes de pessoal durante o ano?

Foram abertas 5,5 mil novas vagas de trabalho na indústria de Transformados Plásticos no País de janeiro a outubro de 2018. No mês de outubro, o Espírito Santo contribuiu com 10% do número de empregos gerados na indústria de Plástico no Brasil. No acumulado do ano, esse percentual foi de 6% do número de postos de trabalho abertos no País, com a geração de 165 novas vagas de empregos diretos.

Mais uma vez, o plástico esteve em evidência com a sanção da lei que proíbe o uso de canudos de plástico em todo o Estado. Qual é o posicionamento do setor sobre este assunto?

Temos o desafio de fornecer conhecimentos mais específicos sobre o tema, especialmente aos novos deputados estaduais, federais, senadores e as câmaras de vereadores, para que compreendam a real importância social e econômica do nosso setor. O debate sobre a preservação e o futuro do planeta deve sempre existir e cabe a toda a cadeia promover uma discussão construtiva sobre o uso consciente do plástico. Precisamos discutir a Lei Nacional dos Resíduos Sólidos e as responsabilidades de cada ator envolvido (Fabricantes de embalagens, Indústrias demandantes, Distribuidores e Atacadistas, Governo, População). O plástico e qualquer outro produto não chega sozinho aos mares. Falta consciência e debate sobre o uso consciente, gestão do pós-consumo e a destinação correta dos resíduos sólidos. É importante desenvolvermos um trabalho de excelência para a reconstrução da reputação e da imagem do plástico.

Como representante do segmento de Transformados Plásticos do Espírito Santo, qual foi o principal projeto do Sindiplast-ES em 2018? Como este projeto evoluiu durante o ano? 

Um dos projetos foi o Interface Setorial, onde reunimos, não só o setor Plásticos, mas também o de Papel, Metalmecânico, Madeira e setor Gráfico, para apresentar seus produtos a grandes empresas demandantes, como Weg, Leão Alimentos, Arcelor Mittal etc. Esse projeto visa a geração de negócios para os empresários desses setores. O Sindiplast-ES foi pioneiro dentro da Findes em realizar esse trabalho, que chegou ao terceiro ano consecutivo levando oportunidades de negócios aos empresários.

Em sua opinião, qual foi a principal conquista do sindicato em 2018?

Destaco duas conquistas importantes: ter alcançado a nossa Visão projetada na revisão do Planejamento Estratégico de 2016, quando assumimos, que era “Ser reconhecido em nível nacional como interlocutor e indutor do desenvolvimento da indústria do plástico do Espírito Santo até 2019”; e ter alcançado a sustentabilidade financeira do Sindicato, mesmo com o fim da contribuição sindical obrigatória em 2018. Isso mostra que os associados enxergam valor no Sindiplast-ES. Nossa gestão sempre teve a preocupação com o volume e a qualidade das entregas e o Sindicato tem alcançado essa maturidade ao longo dos últimos nove anos e das respectivas gestões.

Qual é a expectativa do setor para o ano de 2019?

O Índice de Confiança do Empresário Industrial – Material Plástico bateu 67 pontos percentuais em novembro de 2018, o maior índice se comparado ao ano de 2017 e a todos os outros meses de 2018. O empresário está otimista com a mudança de Governo e os sinais que a nova equipe econômica tem enviado ao mercado, de que o objetivo é melhorar o ambiente de negócios para destravar a economia no Brasil. No Espírito Santo, ainda temos mercados pouco explorados pela indústria de Plásticos, como Petróleo e Gás, Automotivo (que está em franco crescimento na região norte do Estado), Agrícola. Há expectativa de crescimento do setor de Construção Civil, um dos maiores demandantes da indústria de Plásticos no Estado. O momento é de otimismo consciente.

O Sindiplast-ES já elegeu uma nova diretoria, que assumirá em breve a administração da entidade. Em sua opinião, qual será o legado deixado pela sua gestão nesses últimos três anos?

Acredito que a consolidação da profissionalização da gestão do Sindicato, inclusive com reconhecimento em nível estadual com a conquista da placa “Primeiros Passos para a Excelência”, do Prêmio Qualidade Espírito Santo (PQES), que nos foi concedido por dois anos consecutivos pelo Governo do Estado. O Sindiplast-ES foi o primeiro Sindicato a submeter a sua gestão a uma avaliação do Modelo de Excelência da Gestão (MEG).  Tivemos nossas boas práticas sindicais inseridas no catálogo nacional da CNI, nos levando a realizar diversas ações de benchmarking em outros estados da Federação. E tudo isso feito de forma simples e integrada com a Findes e as entidades que a compõem (Sesi-ES, Senai-ES, IEL-ES etc). O próximo presidente do Sindiplast-ES, receberá, na solenidade de posse, o nosso Mapa Estratégico revisado, a Agenda Sindical atualizada com as ações a serem realizadas, o Plano de Comunicação, o Estatuto revisado, o Código de Ética implantado, o Orçamento 2019 aprovado etc. Isso demonstra o nível de maturidade profissional que alcançamos ao longo desses anos, fruto de muito trabalho e dedicação de toda a equipe.