Por Raphael Oliveira

E o coronavírus (Covid-19) chegou com força. Gera abalos nos mercados e estagna atividades econômicas, com impactos nas cadeias globais de suprimentos. Com ampliação das medidas restritivas, caminhamos para a recessão global. Caso esse cenário se mantenha, serão necessários anos para recuperar as perdas e os impactos na economia, segundo avalia a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Dessa forma, é importante abordar os temores da saúde que se entrelaçam com o setor econômico. O problema que enfrentamos hoje não é a taxa de mortalidade da Covid-19, mas, a alta capacidade de disseminação do vírus.

A taxa de letalidade na Alemanha, nesta última semana de março, está em 0,35%, na Espanha em 6%, e no Brasil em 1,55%. A Itália está fora da curva e chegou aos 9% por ser o segundo país com o maior número de idosos, depois do Japão, dentre outros fatores. Mas, obviamente, esses números podem mudar.

O desafio brasileiro é postergar as internações na tentativa de se estruturar para atender a alta demanda de infectados que está por vir como acontece, por exemplo, no Hospital das Clínicas de Vitória e no Dório Silva, na Serra. Daí, as iniciativas do Governo em tentar estancar a circulação de pessoas e, consequentemente, as atividades econômicas.

Nesse ponto temos muitos questionamentos. E se as estratégias adotadas pelo Governo não paralisarem a contaminação de forma rápida e a economia prosseguir estagnada? Além disso, quais os impactos na saúde mental da população com a pandemia de informações trágicas, aliadas ao confinamento? Como será possível as pessoas e as empresas sobreviverem com a falta de recursos econômicos? Obviamente, acarretarão em muitas falências e demissões, alta taxa de desemprego e endividamento.

O problema é que, se a economia afunda, as vidas irão perecer também. É preciso equilibrar a preservação da vida com a preservação da economia, ambas se completam e são dependentes uma da outra.

As empresas fecharão, os salários não aparecerão nas contas bancárias e as datas de vencimento dos pagamentos não serão cumpridas. Enfim, as pessoas logo serão confrontadas com o problema de não poderem mais comprar nem mesmo as necessidades básicas. Ou pela razão de as prateleiras estarem vazias ou por, simplesmente, não terem dinheiro para comprar nada.

Para reverter esse cenário desolador em curso, a alternativa é que governos ajudem e realizem pagamentos compensatórios às pessoas e empresas afetadas, além de outras iniciativas para minimizar o impacto. Mas, daí também há riscos de compensações financeiras tão altas que a inflação poderá resultar e agravar o efeito da depressão econômica.

Tenho dificuldade em acreditar em dados satisfatórios divulgados pelos governos chineses e russos. A Rússia se notabilizou em camuflar informações, enquanto a China segue em seu governo comunista, manipulador e perverso. Termino este artigo sem a conclusão, com vários questionamentos que seguem permeando nosso cotidiano. 

Raphael Oliveira é consultor de gestão, formado em Administração de Empresas e Sistemas de Informações. MBA em Gestão de Projetos e Finanças. É diretor da Northcomm Consultoria em Gestão Estratégica. É parceiro do Clube de Vantagens do Sindiplastes.

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